Construído onde ficava uma favela, o Parque da Catacumba é resultado da execução de dois projetos notáveis: na parte baixa, até a meia encosta do morro, uma sólida obra de arquitetura, ajardinamento e paisagismo criou no local um espaço suntuoso e agradável, formado por alamedas, praças e jardins, com muitas árvores, e uma exposição ao ar livre de esculturas de artistas famosos.

Em um outro momento, da meia encosta ao alto do morro, foi feito o reflorestamento, com a predominância de espécies encontradas na mata atlântica. Em consequência, surgiu a fauna local, formada em sua maior parte por pássaros e sagüís, como o que aparece na foto ao lado. Uma trilha leva ao ponto mais alto do morro, onde um mirante permite apreciar uma das mais belas vistas da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Poucos dos frequentadores do parque residem nas suas proximidades. A maioria vem de longe, incluindo turistas do Brasil e do exterior. Isto faz com que sua importância transcenda os limites dos bairros que o cercam, tornando-o um local de grande valor para toda a cidade do Rio de Janeiro. Quis o destino, entretanto, que o Parque fosse entregue em concessão a empreendedores com objetivos diversos daqueles que animavam seus idealizadores.

   

entre agosto e setembro de 2008 morreram todos os sagüís do Parque da Catacumba. Restam as fotos...

Sábado, 20.03.2010
Fizemos, neste espaço, a coleta de assinaturas em um Abaixo-Assinado, entregue ao Ministério Público Estadual, "pela preservação do Parque da Catacumba na situação em que se encontrava antes das obras de instalação de equipamentos de recreação".

Venceram os comerciantes profissonais, que irão explorar à exaustão (do público e do parque - o que primeiro desaparecer) as instalações que, imprópria e irregularmente, foram construídas.

Aos signatários do Abaixo-Assinado, nosso agradecimento. O link abaixo mostra apenas os comentários por eles deixados no documento, face à nossa promessa de não expor à público suas informações pessoais.

Comentários do Abaixo-Assinado:

 


 

"O assunto é de interesse de todos os montanhistas e amantes da natureza, mesmo os que não freqüentam aquele parque, pois esse projeto abre um precedente perigoso."

Irene Schmidt - montanhista e frequentadora do Parque da Catacumba. (26.11.2008)


 
 

Em final de julho de 2008 me surpreendi com a construção de uma palhoça na entrada do Parque da Catacumba, quando me dirigia à trilha que subo habitualmente. Um caminhão estacionado sobre o gramado e algumas toras de eucalipto empilhadas eram também motivo de estranheza. Estranheza que aumentava pela ausência dos guardas já conhecidos, para dar informações, e de uma placa, cuja existência as posturas municipais obrigam, para informar sobre a responsabilidade pela obra e, se possível, sobre a sua finalidade.

Naquele dia fotografei a obra. Nos dias seguintes fiz perguntas ao novo administrador do parque e pesquisei na internet sobre arborismo no Parque da Catacumba. Encontrei a explicação em uma página escondida no fundo do site da Riotur. O projeto previa a instalação de equipamentos para a prática de arborismo, tirolesa, rapel e escaladas. Ficaria pronto em novembro e seria explorado por uma empresa particular pelo prazo de cinco anos (!). Segundo o novo administrador, seria a mesma empresa que já explora essa atividade em Foz do Iguaçú (!!).

Em 04 de agosto formalizei denúncia junto ao Ministério Público Estadual pedindo o embargo do empreendimento. A meu ver, a primeira agressão era contra a integridade visual do parque pela simples construção da palhoça, que ficaria muito bem em uma beira de praia do fundo de nossa Baia da Guanabara. Nunca em um parque solidamente construído, pronto e terminado, dentro dos melhores padrões de paisagismo e arquitetura de nossa cidade. Ocorreu que a denúncia era individual, em um órgão de tutela coletiva. Faltaram as assinaturas que fui incapaz de colher.

A obra correu solta, sem qualquer tropeço com o IPHAN, o IBAMA, a FEEMA, e outros orgãos que deveriam ter dado um basta aos primeiros sinais das irregularidades que a cercavam pelos quatro lados: a placa, a licitação, o desrespeito ao patrimônio público, artístico e cultural, a agressão ao meio ambiente, a cota 100, dentre outras. Até que os moradores da Fonte da Saudade - no lado oposto ao da entrada do parque - perceberam os pilares da plataforma para rapel sendo construídos sobre seus apartamentos. Desde então vimos somando esforços contra o absurdo empreendimento.

Voltando ao parque após uma ausência de dois meses, soube da morte da população inteira de sagüís que habitava a floresta. Pequenos bichos com os quais conviví cerca de dez anos em visitas que fazia à morada deles. Que coincidência isto acontecer justo agora...

Jayme Derenusson - autor do site e frequentador do Parque da Catacumba. (26.11.2008)


 

 

A Cultura e... a Barbárie

 

 
Jardim, junto à sede da Sub-Prefeitura
     
Construção da palhoça. À direita, peças claras tubulares são fragmentos de uma escultura de Sérgio Camargo, arrancada do local escolhido para sediar a dita palhoça.
 

 

 
Ponte de pedras em curva, na parte alta do parque.
     
Telhado de zinco, de volta ao Morro da Catacumba...
 

 

 
Alameda de acesso ao parque pelo lado esquerdo.
     
Parede para escaladas, sob o telhado de zinco. Mafuá?
No local havia uma escultura que foi removida, pois iria atrapalhar a brincadeira...
 

 

 
Escultura no jardim junto à entrada do parque.
     
Fragmentos da escultura de Sérgio Camargo, sua base (quebrada) e placa informativa, jogados ao lado da palhoça que tomou seu lugar.
 

 

Versão 2011:

 



Conflito cultural?

 

Morte Lenta Para as Jaqueiras



   

As fotos laterais são do dia 21 de junho de 2011, e foram feitas quando descia da trilha que leva ao topo do Morro da Catacumba. Elas mostram jaqueiras condenadas a morrer de inanição, pois a seiva que deveria correr das raízes ao topo de cada árvore teve seu caminho cortado por mãos humanas, como se pode ver nas fotos. A árvore à direita, fotografada do meio pra cima, é uma das mutiladas (foto à esquerda). Muitas de suas folhas já aparentam um tom amarelado.

Neoambientalistas descobriram que sagüís e jaqueiras são "espécies invasoras" (nós, humanos, seríamos o que?). Os primeiros foram extintos em 2008 e, passados três anos, continuam ausentes do antigo habitat. Na ocasião soube das intenções que eram alimentadas em relação às jaqueiras, de utilizar o "anelamento" para impedir que elas se alimentassem, o que finalmente está sendo feito.

Podemos ver agora na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, cidade sede da próxima Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, práticas piores do que as empregadas na distante Floresta Amazônica. Porquê não utilizar a famigerada motoserra, em lugar de matar as árvores com requintes de crueldade? Ou seria desfaçatez, para dizerem que morreram de "alguma doença", tal como os sagüís?

Pobre Parque da Catacumba, em que mãos foste parar!

Jayme Derenusson

   

       



 

Para amenizar o meio ambiente local, uma foto de hoje, dia 19 de março de 2014, feita e gentilmente enviada pelo compaheiro de subida de trilha, Marcelo Teixeira, mostrando o flagrante de um belo pássaro, parente próximo de algum tucano, que amanheceu o dia à nossa espera para ser fotografado.

Como é costume entre a maioria dos animais que compõem a fauna local, retirou-se para bem longe, logo após a nossa chegada, os primeiros visitantes do dia.